quarta-feira, 21 de outubro de 2009

apenas isso...



Cuida de mim
Sem que eu perceba
Cubra-me em noites frias
Arrume meus cabelos em dias de ventania
Segure a minha mão
Não deixe que eu vá sozinha
Diga-me alguma coisa que eu precise ouvir
Não me pergunte nada quando eu não quiser falar
Perceba que eu estou triste
Note a minha alegria
Fique do meu lado
Beba no meu copo
Abrace-me sem receio
Sinta meu calor
Deite-se em meu peito
E quando o meu coração disparar de tanto te amar
Não vá
Fique até que ele se acalme
Sem que eu precise pedir

Carla Pianchão

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

nem tão perfeita...

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Nem lembro quando foi a última vez que isso aconteceu. Eu perdi a hora.
Todos os dias eu me levanto as 5:30, chamo a Maria e logo após o João, meu marido sai antes das cinco. Este é um ritual muito tranqüilo, que eu sigo sem o menor problema.
Mas hoje foi diferente.
Abro os olhos, olho o relógio, dou um salto, e constato que já são quase seis.
Levanto correndo, sem chinelos, porque nesta hora tudo acontece, e justo hoje ele não estava lá, chamo a Maria, que levanta imediatamente, ainda sem entender direito o que estava acontecendo, e logo depois chamo o João que me olha, parecendo não me enxergar e diz... Calma mãe... Vai dar tempo.
Desci as escadas correndo, coloquei as frutas no liquidificador, e mais um monte de coisas, deixei batendo, e fui abrindo a porta, lá vem a Maria com tênis na mão, mochila nas costas...
Tomou a vitamina, e antes que ela engolisse tudo, escutamos a buzina do escolar, lá foi ela, tênis na mão, e eu correndo atrás com a mochila... Ainda pude ouvir quando ela disse... Te amo muito mãe!
Uffa... Agora era a vez do João.
Tranqüilo como sempre, lá foi ele com uma maçã na mão, não se importando nem um pouco em perder a primeira aula, de matemática claro.
Vai com Deus meu filho!
Passado o sufoco, fui tomar o meu café, e enquanto saboreava um bom pedaço de queijo, fiquei pensando... Nós mães somos assim, queremos dar conta de tudo, e às vezes temos dificuldade de enxergar que nossos filhos cresceram.
Aqui em casa, tanto o João como a Maria tem celular, que desperta.
Preciso me demitir do cargo de despertador da família, e avisar para meus queridos filhos, que há tempos eu não vou mais para escola, trabalho em casa, e tenho o direito de GANHAR, umas horas a mais...
Tenham todos um bom dia!

Carla Pianchão

P.S.: Sei que um dia vou sentir falta de toda essa correria... Isso é vida!

sábado, 3 de outubro de 2009

saudades de ter uma vó...


Vasinhos de barro na janela me lembram casa de vó.
Já repararam como toda casa de vó, tem sempre um chinelinho debaixo da cama, um robe de flanela, pendurado atrás da porta...
Um café com bolo pra quem chega
Apenas uma muda de roupa no varal
Uma almofadinha no sofá da sala
Uns óculos na escrivaninha
Um tapetinho na porta
E claro vasinhos na janela
Tem também um quintal, com paredes descascadas, que por menor que seja tem sempre uma plantinha...
Nem sempre tão cuidada, mas fica ali... porque faz parte
E se você chama ou bate na porta
Lá vem ela, arrastando o chinelinho e caminhando com dificuldade.
Às vezes confunde os netos, abraça um pensando que é outro...
Todas elas têm sempre um vestidinho de ir a missa, com golinha de crochê, e uma bolsinha que carrega na maioria das vezes, um terço e um lençinho com suas iniciais...
Acordei com saudades de ter uma vó...

P.S.: Essa é a janela do meu cantinho...

Carla Pianchão

quinta-feira, 16 de julho de 2009

"Crianças" de férias...


Primeiro dia de férias, crianças em casa... Crianças????
Um adolescente de quatorze e uma pré-adolescente, de nove, quase dez, como ela faz questão de frisar.
Não, ninguém precisa ficar com pena de mim, afinal de contas eles já são grandinhos, e não mexem mais nas minhas caixinhas de botões, aqueles bem pequenininhos, que se caírem dez no chão, você acha sete, mas já vou logo avisando que se precisarem falar comigo, estou no celular, na fila do telefone fixo, e na fila do computador.
Mas hoje é o primeiro dia, levantaram mais tarde, sem precisar da mãe, para chamar, o que deve ser, para eles um tormento federal, foram à locadora, os dois juntos e abraçadinhos, pegaram filmes, e voltaram com tudo esquematizado, pelo João, claro (o homem da casa) enquanto ele assiste, ela vai ao computador, e vice versa. Ele decidiu tudo.
Almoçamos todos juntos, bastante legumes, e um belo suco de cenoura com laranja, no lugar daquele refrigerante, super famoso, o que deixou minha Maria com cara de poucos amigos. Nestes 15 dias de férias, quero aproveitar para almoçar com as “crianças”, sem tanta correria, e o mais natural possível.
Tudo corre tranqüilamente, não fosse, o vídeo não funcionar... Nada de filmes, caras fechadas, a espera do pai...
Não vamos viajar, são apenas 15 dias. Apenas????
Claro que vamos ao cinema, sair um dia ou outro do natural e almoçar sanduíche, fazer caminhadas na lagoa, passear no clube, na casa da vovó, enfim todas aquelas coisas que a gente faz para sobreviver a férias com crianças em casa, nos primeiros dias... Porque depois da primeira semana, a vovó fica rabugenta, andar na lagoa é um porre, o sanduíche daquele restaurante famoso, dá dor de barriga, a locadora já não tem mais filmes, (o João acha até que ela esta falindo), as orelhas já estão doendo de tanto falar ao telefone... Eu começo a sentir falta do meu silêncio e da minha rotina, e as crianças por incrível que pareça, começam a sentir falta da escola. O Ivo ao chegar em casa, e constatar que crianças em casa são uma tortura, promete, mais uma vez, que nas próximas férias de julho, se não houver gripe suína, vamos viajar.
Bom até agora, acho que vou sobreviver, por enquanto ainda não apresento nenhum sintoma de loucura... Apenas algumas pequenas mudanças na minha rotina,
Fecharam a porta do meu cantinho, porque o barulho da máquina, segundo as crianças, atrapalha a televisão.
Meu quarto não fica mais arrumado, porque eles querem assistir coisas diferentes, e para não acontecer uma guerra, um em cada televisão.
A geladeira assaltada de 15 em 15 minutos...
E quando eu estou bem concentrada, nos meus bordados, sou interrompida por um grito, uma frase clássica... Mãe olha o João aqui!!!
Um susto, um ponto errado, uma picada de agulha no dedo, e lá vou eu olhar o João, que antes mesmo que eu diga alguma coisa, me olha com um sorriso lindo, e cheio de malandragem, já vem logo se explicando, me abraçando e diz que estava só brincando, e eu volto pro meu cantinho...

Carla Pianchão

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Meus filhos


É por eles que eu faço
E desfaço se for preciso
É por eles que eu vou
E volto
É por eles que eu enfrento
E os defendo como um sargento
É por eles que eu insisto
Persisto
E não desisto
É por eles que quando eu tropeço
Não me despeço
Quando eu choro não demoro
É por eles que eu espero
Dou risadas
Pulo e engulo
Chuto o balde
Desço do salto
Falo alto
É por eles
Que eu continuo
Flutuo
Pinto e literalmente bordo
É por eles que vale a pena
Acordar
Discordar
enfrentar
Amar
Acreditar
E não parar
É por eles que vivo.

Carla Pianchão

sexta-feira, 12 de junho de 2009

ele é o cara...


“A gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer”
Briga pensando que não vai sofrer
Que não faz mal se tudo terminar...”
Pois é, a música “Castigo de Nana Caymmi” diz assim...
E é exatamente assim que acontece.
Na hora da briga, porque mesmo amando muito, elas acontecem, na hora da raiva, sangue fervendo, a gente esquece que ama aquele cara.
As diferenças ficam gritantes, e aí, a gente fala, a gente grita, manda embora, e acha que pode viver sem ele.
O sangue esfria
A raiva passa
O arrependimento bate
E mesmo com aquelas palavras, duras e cruéis, que ele disse, (porque ao contrário do que a gente pensa, eles falam), martelando e nos fazendo lembrar, que temos defeitos, a gente descobre que ainda tem jeito...
Que ele é o cara
Aí a gente escancara
E se depara com a verdade
E diz que ama
E tenta outra vez...

Ele é totalmente diferente, do príncipe das estórias, não é romântico, não escolhe bem as palavras, é excessivamente realista, por conta da vida que não foi tão fácil, é prático demais, e é mais um monte de coisas, demais e de menos.


Mas é o cara...
por enquanto...

Carla Pianchão

sexta-feira, 5 de junho de 2009

imagino o rio


Fico olhando
Fico pensando
Não estou chorando
Mas de rir... Hoje não tenho vontade
Sinto uma saudade
Sinto falta
Sinto um pouco de frio
Imagino o rio
Fico parada
Totalmente sem nada
Fico ali
Sem saber
Em que momento eu me perdi
Fecho os olhos
Não pra dormir
Apenas para quando eu abrir
Sentir de novo
Vontade
De ir.

Carla Pianchão

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Flores no meu pequeno jardim


Quando tudo parece meio confuso, nascem flores no meu jardim.
O sol parece mais claro, meu coração bate mais forte, quase posso sentir o sangue que corre em minhas veias.
Tenho sede, tenho fome, tudo salta, tudo brota, tudo vem quase que por encanto...
Não mais parada no canto
Não ando mais devagar
Não mais envolvida no pranto
Corro e não quero parar
Não me importa o que vejo
Sei o que desejo

Um abraço
Carla Pianchão

quinta-feira, 14 de maio de 2009

e o tempo vai passando...


As mudanças, cada dia que passa, ficam mais claras, com apenas nove anos, já começam a aparecer os primeiros sintomas, de uma pré-adolescência, talvez, um pouco precoce.
Dividida, entre as bonecas, e o celular... já não coloca a roupa que eu separo, e disfarçadamente, substitui a blusa de laçinho, pela bata de bolinha.
Percebo que por enquanto ela ainda não consegue identificar o que está acontecendo, mas sabe, que algo acontece... se encanta com a casinha de bonecas, e logo em seguida, com o óculos da mamãe, faz pose, feito gente grande, na hora da foto.
É minha Maria... começando a caminhar sozinha.
Carla Pianchão

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Feliz Dia das Mães...


Falar do dia das mães, pra mim, é complicado, é inevitável, não pensar na minha mãe que não está mais aqui. Cada ano que passa, eu acho, apenas acho, que já estou mais conformada, mesmo porque não tem outro jeito, mas quando começo a me lembrar de como ela faz falta...
Ficar por aqui sem ela é como estar em cima de um palco com a platéia vazia. Pronto, já nem consigo mais ver o que estou digitando, engulo o choro, como ela costumava dizer, e peço a Deus que me dê forças para continuar seguindo sem ela.
Bom, mas eu posso falar de mim, afinal eu também sou mãe. Não, deixo essa parte para meus filhos, e espero sinceramente que eles digam alguma coisa legal, afinal não tenho nenhuma pretensão de ser a melhor mãe do mundo, mas com certeza não sou a pior.
Às vezes pergunto para meus filhos: Mamãe é legal???? A Maria rapidamente, responde meio sem jeito, é, mas aquele dia você ficou brava comigo, e o João um pouco maior, e cheio de malandragem, aproveita a oportunidade para tirar vantagem, mãe você é legal pra caranba, não se esqueça da blusa que eu preciso para a festa de sábado, e sorrindo ele me abraça, cheio de ginga, como quem brinca com a vida. Meus filhos são lindos, são minha vida. Quem me conhece, sabe que eu fiz um tratamento para engravidar, durante cinco anos, e ter tido, o João e a Maria, e a certeza, de que Deus me ouviu e me abençoou.
Ta bom então, vou falar de todas as mães, sem puxar a sardinha para mim, mas eu me recuso a fazer como nas propagandas. Mães lindas, correndo no parque florido, com seus filhos mais lindos ainda, bem vestidinhos, com a roupa daquela loja famosa, porque afinal é uma propaganda, ou então aquela outra, que a mulher, linda também, faz o ensopadinho, com aqueles cubinhos mágicos, enquanto os filhos, comportadinhos, de mãozinhas lavadas, esperam sentados a mesa, em companhia do pai, que na propaganda, chegou cedo, não está estressado, e sorri para as crianças, aguardam pela mãe, que vem chegando sorridente, com a travessa na mão...
Prefiro falar de coisas mais reais, (outro dia, alguém me disse, que meus textos, são duros e às vezes tristes, e eu disse, meus textos são reais e verdadeiros).
Ser mãe, definitivamente, não é uma tarefa fácil. Claro que é maravilhoso, que tem milhões de compensações, muitos momentos emocionantes e gratificantes, mas nós sabemos que nem sempre as coisas acontecem como nas propagandas. Ser mãe é acima de tudo, aprender a amar incondicionalmente, independente do que aconteça. Ser mãe é amar seu filho, mesmo quando ele faz aquela birra, em pleno shopping, quando ele te dá aquela resposta atravessada, na frente da vovó, quando ele quebra aquela sua estatueta caríssima, ou até mesmo quando ele arruma aquela namorada, com cara de poucos amigos. Ser mãe é estar preparada pra quando ele colocar a mochila nas costas, abrindo mão daquele quarto, que você fez com tanto sacrifício, pra morar de qualquer jeito, com os amigos, ou seguir por uma estrada, que nem eles, sabem aonde vai dar. Ser mãe é isso e mais um monte, fazer drama, cobrar noites mal dormidas, chorar quando eles vão embora...
Na teoria todas as mães sabem que os filhos não são nossos, mas na prática, muitas delas, fazem terapia, quando eles descobrem que podem caminhar sozinhos, que não precisam mais segurar em nossas mãos...
Aí vem os netos, as noras, os genros, as visitas de domingo...
Feliz Dias das mães!
Tenham todas lindos momentos com seus filhotes.
Um abraço
Carla Pianchão
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