terça-feira, 30 de março de 2010

minha Maria cresceu...


O prendedor de cabelos de florzinha, já foi deixado de lado, literalmente abandonado.
O beijo na porta da escola, nem pensar.
Frases do tipo “fique com Deus”, “te amo”, ou “preste atenção na prova”, nem me atrevo a dizer na frente da galera. É mico.
E o lanchinho? Biscoitinhos no potinho de plástico?
Esqueça!
E não se atreva a enrolar a maça naquele guardanapinho que você mesma fez, no meu caso, ainda fiz um “apliquê” (técnica de patch), porque isso nem é um mico, é um verdadeiro chipanzé!!!
Nas festinhas, há muito tempo que eu só deixo na porta, e agora só até na esquina.
Não adianta perguntar a que horas a festa termina, a resposta é sempre a mesma: - eu te ligo, do celular claro, faz parte do kit aborrecente.
O tênis tem que ser o de eskaitista, mesmo que eles não tenham eskate, é enorme, me dá e impressão de uma banheira, o cadarço virou enfeite, fica jogado pro lado arrastando no chão... Mas é moda.
O cabelo às vezes é super liso, e no dia seguinte todo de qualquer jeito, depende muito do humor, que quase sempre é mau humor.
Às vezes tenho a impressão de que minha Maria dormiu criança e acordou adolescente.
Mesmo estando do lado dela o tempo todo, quando assustei ela já andava sozinha, sem segurar em minha mão.
Não precisa mais de mim pra lavar os cabelos, não me pede opinião nem mesmo na hora de escolher o pijama de dormir, que, aliás, não é mais aquele de coraçãozinho, já foi substituído por uma camiseta velha.
Aqueles papos, ainda rolam, mas não podem ser longos demais, outro dia ela dormiu, enquanto eu colocava em prática, coisas que aprendi nos muuuuuitos livros que li sobre adolescência.
As conversas no celular são sussurros, e quando falam um pouquinho mais alto, não muda muita coisa, tenho a impressão de que estão conversando em códigos... “tipo assim”.
Bom, apesar de tudo isso, e apesar de saber que isso não é tudo, afinal são só 10 anos, estou digerindo, me preparando, tentando aceitar toda essa mudança que vem de repente... é como um soco no estômago! E mesmo não permitindo alguns exageros, não é tarefa fácil encarar que os filhos crescem.
Já aumentei meu tempo na terapia... Rsrsrsr
Já sinto falta da minha “pequena” Maria
Já me sinto... “tipo assim”... uma estranha no ninho!
Mas como detesto dramalhão mexicano... haja tecidinhos!!!
Agora tenho um de quinze, no auge da adolescência, (essa conversa fica pra outro dia)...
E uma de 10 no começo...
Faz parte!!!

Carla Pianchão