quinta-feira, 16 de julho de 2009

"Crianças" de férias...


Primeiro dia de férias, crianças em casa... Crianças????
Um adolescente de quatorze e uma pré-adolescente, de nove, quase dez, como ela faz questão de frisar.
Não, ninguém precisa ficar com pena de mim, afinal de contas eles já são grandinhos, e não mexem mais nas minhas caixinhas de botões, aqueles bem pequenininhos, que se caírem dez no chão, você acha sete, mas já vou logo avisando que se precisarem falar comigo, estou no celular, na fila do telefone fixo, e na fila do computador.
Mas hoje é o primeiro dia, levantaram mais tarde, sem precisar da mãe, para chamar, o que deve ser, para eles um tormento federal, foram à locadora, os dois juntos e abraçadinhos, pegaram filmes, e voltaram com tudo esquematizado, pelo João, claro (o homem da casa) enquanto ele assiste, ela vai ao computador, e vice versa. Ele decidiu tudo.
Almoçamos todos juntos, bastante legumes, e um belo suco de cenoura com laranja, no lugar daquele refrigerante, super famoso, o que deixou minha Maria com cara de poucos amigos. Nestes 15 dias de férias, quero aproveitar para almoçar com as “crianças”, sem tanta correria, e o mais natural possível.
Tudo corre tranqüilamente, não fosse, o vídeo não funcionar... Nada de filmes, caras fechadas, a espera do pai...
Não vamos viajar, são apenas 15 dias. Apenas????
Claro que vamos ao cinema, sair um dia ou outro do natural e almoçar sanduíche, fazer caminhadas na lagoa, passear no clube, na casa da vovó, enfim todas aquelas coisas que a gente faz para sobreviver a férias com crianças em casa, nos primeiros dias... Porque depois da primeira semana, a vovó fica rabugenta, andar na lagoa é um porre, o sanduíche daquele restaurante famoso, dá dor de barriga, a locadora já não tem mais filmes, (o João acha até que ela esta falindo), as orelhas já estão doendo de tanto falar ao telefone... Eu começo a sentir falta do meu silêncio e da minha rotina, e as crianças por incrível que pareça, começam a sentir falta da escola. O Ivo ao chegar em casa, e constatar que crianças em casa são uma tortura, promete, mais uma vez, que nas próximas férias de julho, se não houver gripe suína, vamos viajar.
Bom até agora, acho que vou sobreviver, por enquanto ainda não apresento nenhum sintoma de loucura... Apenas algumas pequenas mudanças na minha rotina,
Fecharam a porta do meu cantinho, porque o barulho da máquina, segundo as crianças, atrapalha a televisão.
Meu quarto não fica mais arrumado, porque eles querem assistir coisas diferentes, e para não acontecer uma guerra, um em cada televisão.
A geladeira assaltada de 15 em 15 minutos...
E quando eu estou bem concentrada, nos meus bordados, sou interrompida por um grito, uma frase clássica... Mãe olha o João aqui!!!
Um susto, um ponto errado, uma picada de agulha no dedo, e lá vou eu olhar o João, que antes mesmo que eu diga alguma coisa, me olha com um sorriso lindo, e cheio de malandragem, já vem logo se explicando, me abraçando e diz que estava só brincando, e eu volto pro meu cantinho...

Carla Pianchão

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Meus filhos


É por eles que eu faço
E desfaço se for preciso
É por eles que eu vou
E volto
É por eles que eu enfrento
E os defendo como um sargento
É por eles que eu insisto
Persisto
E não desisto
É por eles que quando eu tropeço
Não me despeço
Quando eu choro não demoro
É por eles que eu espero
Dou risadas
Pulo e engulo
Chuto o balde
Desço do salto
Falo alto
É por eles
Que eu continuo
Flutuo
Pinto e literalmente bordo
É por eles que vale a pena
Acordar
Discordar
enfrentar
Amar
Acreditar
E não parar
É por eles que vivo.

Carla Pianchão